GT2 - 1326 FORÇA-DE-LEI: RUPTURAS E REALINHAMENTOS INSTITUCIONAIS NA BUSCA DO “SONHO OLÍMPICO” CARIOCA

  • Nelma Gusmão de Olveira

Resumo

No dia 02 de outubro de 2009 o Brasil ocupava o centro das atenções da mídia mundial. Após mais de um século de existência dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, pela primeira vez, uma cidade da América do Sul era escolhida para sediar o evento, a cidade do Rio de Janeiro. As imagens da festa brasileira em Copenhague sintetizavam a expressão do “consenso”, constituído entre os grupos hegemônicos no Brasil, em torno do objetivo inserir a cidade no circuito mundial de produção do espetáculo esportivo.
A vitória da candidatura do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 veio culminar longa uma trajetória de busca aos megaeventos esportivos que, desde suas origens, vincula-se estreitamente com a emergência e implementação do modelo neoliberal de planejamento urbano nessa cidadei. Ela compreende as aspiraçõesii fracassadas de sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 2004 e 2012, passa pela realização dos Jogos Pan-americanos de 2007, e culmina com as vitórias do Brasil na disputa por sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
A ênfase conferida pela cidade do Rio de Janeiro a essa estratégia de busca do desenvolvimento não se trata de fato isolado. Sustentada numa representação da realidade que diagnostica como inexoráveis as conseqüências do fenômeno da globalização (Lima Júnior, 2010), a lógica do mercado tem dominado cada vez mais as teorias e práticas do planejamento de cidades. Inspirado em técnicas de gestão empresarial da Harvard Busines School, esse modelo propõe uma reorganização de hierarquias e escalas de poder de modo a atribuir ao governo local o papel de protagonista no processo de promoção do desenvolvimento econômico, através de uma atuação direta no mercado global. Para garantir a sobrevivência num mundo cada vez mais globalizado as cidades, estariam desafiadas a competir com outras cidades pela atração de capitais. Devido à sua capacidade de mobilizar recursos materiais e simbólicos, os megaeventosiii esportivos – a mais poderosa indústria ligada ao entretenimento no mundo atual – tornam-se objeto do desejo de todos que, seguindo tais diretrizes, defendem a idéia de inserção das cidades nos circuitos “competitivos da economia global” como única via para o desenvolvimento.

Publicado
2018-11-25
Seção
Sessões Temáticas